{"id":11066,"date":"2019-09-03T11:18:22","date_gmt":"2019-09-03T14:18:22","guid":{"rendered":"https:\/\/grupociatos.com.br\/?p=11066"},"modified":"2019-09-03T11:18:22","modified_gmt":"2019-09-03T14:18:22","slug":"ilegalidade-da-cobranca-do-difal-diferencial-de-aliquota-das-empresas-do-simples-nacional-que-adquirem-produtos-em-outros-estados-para-revenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.grupociatos.com.br\/?p=11066","title":{"rendered":"ILEGALIDADE DA COBRAN\u00c7A DO DIFAL-DIFERENCIAL DE AL\u00cdQUOTA DAS EMPRESAS DO SIMPLES NACIONAL QUE ADQUIREM PRODUTOS EM OUTROS ESTADOS PARA REVENDA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O regime de recolhimento do SIMPLES NACIONAL, criado pela Lei Complementar 123, de 2006, implica no recolhimento unificado de diversos tributos, em percentual sobre a receita bruta da empresa, dentre os quais se encontra compreendido o ICMS.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Diversas empresas enquadradas no referido regime, realizam com habitualidade aquisi\u00e7\u00e3o das mercadorias que revendem de ind\u00fastrias e com\u00e9rcios localizados fora do Estado de Minas Gerais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Ocorre que, em decorr\u00eancia dessas opera\u00e7\u00f5es, o Fisco Mineiro tem cobrado dos comerciantes, al\u00e9m do ICMS j\u00e1 compreendido no pagamento mensal do SIMPLES NACIONAL, pagamento denominado \u201cantecipa\u00e7\u00e3o de ICMS\u201d, que seria referente \u00e0 diferen\u00e7a entre a al\u00edquota praticada no Estado de origem da mercadoria e a cobrada em Minas Gerais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Como exemplo, podemos citar um comerciante que adquire uma mercadoria no Estado de S\u00e3o Paulo para revend\u00ea-la aqui em Belo Horizonte\/MG. Nesse caso, o valor da mercadoria ser\u00e1 cobrado com o percentual de 12% referente a al\u00edquota interestadual do ICMS cobrada no Estado de S\u00e3o Paulo. Todavia, caso a mesma mercadoria fosse adquirida dentro do Estado de Minas Gerais, a al\u00edquota do imposto que comp\u00f5e o valor da mercadoria seria de 18% e n\u00e3o de 12%.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Diante desta situa\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o ficar no preju\u00edzo, o Fisco Mineiro instituiu a cobran\u00e7a antecipada da diferen\u00e7a entre a al\u00edquota interestadual e a al\u00edquota interna, que no caso do nosso exemplo seria equivalente a 6%.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">\u00c9 importante destacar que, para as empresas n\u00e3o optantes pelo SIMPLES, o valor cobrado pelo estado a t\u00edtulo de diferencial de al\u00edquota n\u00e3o resulta em nenhum preju\u00edzo, pois estas podem se creditar do valor pago e compens\u00e1-lo quando ocorrer a comercializa\u00e7\u00e3o do produto para o consumidor final. Por\u00e9m, para as empresas enquadradas nos SIMPLES, ocorre severo preju\u00edzo, considerando que este regime n\u00e3o permite a utiliza\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O argumento utilizado pelo Fisco Mineiro reside em uma an\u00e1lise superficial da Lei Complementar 123\/2006 aliada ao Decreto n\u00ba 43,080\/2002 (Regulamento do ICMS de Minas Gerais), que assim disp\u00f5e:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cArt. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento \u00fanico de arrecada\u00e7\u00e3o, dos seguintes impostos e contribui\u00e7\u00f5es:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">(&#8230;)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">VII &#8211; Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Relativas \u00e0 Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Sobre Presta\u00e7\u00f5es de Servi\u00e7os de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; ICMS;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">(&#8230;)<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\">1o O recolhimento na forma deste artigo n\u00e3o exclui a incid\u00eancia dos seguintes impostos ou contribui\u00e7\u00f5es, devidos na qualidade de contribuinte ou respons\u00e1vel, em rela\u00e7\u00e3o aos quais ser\u00e1 observada a legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel \u00e0s demais pessoas jur\u00eddicas:\u201d<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">(&#8230;)<\/span><\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\">h) nas aquisi\u00e7\u00f5es em outros Estados e no Distrito Federal de bens ou mercadorias, n\u00e3o sujeitas ao regime de antecipa\u00e7\u00e3o do recolhimento do imposto, relativo \u00e0 diferen\u00e7a entre a al\u00edquota interna e a interestadual;<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tal previs\u00e3o de tributa\u00e7\u00e3o &#8211; \u201cantecipa\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; est\u00e1 presente no Regulamento do ICMS, mais precisamente no art. 42, \u00a714, que assim disp\u00f5e:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Parte Geral \u2013 RICMS\/02<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Art. 42 (&#8230;)<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\">14. Ficam a microempresa e a empresa de pequeno porte obrigadas a recolher, a t\u00edtulo de antecipa\u00e7\u00e3o do imposto, o valor resultante da aplica\u00e7\u00e3o do percentual relativo \u00e0 diferen\u00e7a entre a al\u00edquota interna e a interestadual e devido na entrada de mercadoria destinada \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o ou comercializa\u00e7\u00e3o ou na utiliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, em opera\u00e7\u00e3o ou presta\u00e7\u00e3o oriunda de outra unidade da Federa\u00e7\u00e3o, observado o disposto no inciso XXII do caput do art. 43 deste Regulamento.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Insta salientar que, apesar de se entender como equivocada a interpreta\u00e7\u00e3o do Fisco Mineiro sobre a legisla\u00e7\u00e3o mencionada, o tema tratado \u00e9 bastante controverso e, inclusive, existe precedente da segunda turma do STJ favor\u00e1vel \u00e0 cobran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">TRIBUT\u00c1RIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARA\u00c7\u00c3O NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. DIFERENCIAL DE AL\u00cdQUOTA INTERESTADUAL. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. EXIG\u00caNCIA DE PAGAMENTO. LEGALIDADE. PRECEDENTE DA SEGUNDA TURMA, ESPECIFICAMENTE QUANTO AO ESTADO DE MINAS GERAIS. EMBARGOS DE DECLARA\u00c7\u00c3O CONHECIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL E, NESSA QUALIDADE, IMPROVIDO. I. Evidenciado o escopo infringente dos Embargos de Declara\u00e7\u00e3o, \u00e9 de ser recebido o recurso como Agravo Regimental, at\u00e9 em raz\u00e3o da exist\u00eancia de pedido expresso da parte, nesse sentido. Embargos de Declara\u00e7\u00e3o conhecidos como Agravo Regimental. II. Conforme j\u00e1 decidido pela Segunda Turma do STJ, &#8220;a contribuinte \u00e9 empresa optante pelo Simples Nacional que adquire mercadorias oriundas de outros Estados da Federa\u00e7\u00e3o. Insurge-se contra a exig\u00eancia, por lei de seu Estado, do diferencial entre a al\u00edquota interestadual (menor) e a interna (maior). Apesar de reconhecer que o art. 13, \u00a7 1\u00ba, XIII, &#8216;g&#8217;, da LC 123\/2002 determina o recolhimento do diferencial de al\u00edquota, a Corte estadual entendeu que a legisla\u00e7\u00e3o local deveria, necessariamente, prever a compensa\u00e7\u00e3o posterior, o que n\u00e3o houve. Por conta da omiss\u00e3o da lei estadual em regular a mat\u00e9ria, a exig\u00eancia do diferencial seria inv\u00e1lida. Inexiste debate a respeito da legisla\u00e7\u00e3o local. \u00c9 incontroverso que a lei mineira exige o diferencial de al\u00edquota na entrada da mercadoria em seu territ\u00f3rio e n\u00e3o permite compensa\u00e7\u00e3o com o tributo posteriormente devido pela empresa optante pelo Simples Nacional. Tampouco h\u00e1 diss\u00eddio quanto \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que admite a sistem\u00e1tica simplificada e prev\u00ea, como regra, o princ\u00edpio da n\u00e3o-cumulatividade. A demanda recursal refere-se exclusivamente \u00e0 an\u00e1lise do art. 13, \u00a7 1\u00ba, XIII, &#8216;g&#8217;, da LC 123\/2002, para aferir se a exig\u00eancia do diferencial de al\u00edquota \u00e9 auto-aplic\u00e1vel. O diferencial de al\u00edquota apenas garante ao Estado de destino a parcela que lhe cabe na partilha do ICMS sobre opera\u00e7\u00f5es interestaduais. Caso n\u00e3o houvesse cobran\u00e7a do diferencial, ocorreria grave distor\u00e7\u00e3o na sistem\u00e1tica nacional desse imposto. Isso porque a aquisi\u00e7\u00e3o interestadual de mercadoria seria substancialmente menos onerosa do que a compra no pr\u00f3prio Estado, sujeita \u00e0 al\u00edquota interna &#8216;cheia&#8217;. Sobre um insumo, por ex., do Rio de Janeiro destinado a Minas Gerais, incide a al\u00edquota interestadual de 12%. Se o mesmo insumo for adquirido no pr\u00f3prio Estado, a al\u00edquota interna \u00e9 de 18%. A cobran\u00e7a do diferencial de al\u00edquota n\u00e3o onera a opera\u00e7\u00e3o posterior, promovida pela empresa optante pelo Simples Nacional, apenas equaliza a anterior, realizada pelo fornecedor, de modo que o diferencial de 6%, nesse exemplo (= 18 &#8211; 12), seja recolhido aos cofres de Minas Gerais, minorando os efeitos da chamada &#8216;guerra fiscal&#8217;. Isso n\u00e3o viola a sistem\u00e1tica do Simples Nacional, n\u00e3o apenas porque a cobran\u00e7a do diferencial \u00e9 prevista expressamente pelo art. 13, \u00a7 1\u00ba, XIII, &#8216;g&#8217;, da LC 123\/2002, mas tamb\u00e9m porque a impossibilidade de creditamento e compensa\u00e7\u00e3o com as opera\u00e7\u00f5es subseq\u00fcentes \u00e9 vedada em qualquer hip\u00f3tese, e n\u00e3o apenas no caso do diferencial. De fato, a legisla\u00e7\u00e3o mineira n\u00e3o prev\u00ea a compensa\u00e7\u00e3o do ICMS recolhido na entrada (diferencial de al\u00edquota), o que \u00e9 incontroverso, pela simples raz\u00e3o de que isso \u00e9 expressamente obstado pelo art. 23, caput, da LC 123\/2002. Ao negar efic\u00e1cia ao disposto no art. 13, \u00a7 1\u00ba, XIII, &#8216;g&#8217;, da LC 123\/2002, o TJ-MG violou a lei federal, descaracterizando o pr\u00f3prio Simples Nacional, o que imp\u00f5e a reforma do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido&#8221; (STJ, REsp 1.193.911\/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 02\/02\/2011).III. Embargos de Declara\u00e7\u00e3o conhecidos como Agravo Regimental e, nessa qualidade, improvido.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Contudo, a mat\u00e9ria encontra-se pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal atrav\u00e9s do no Recurso Extraordin\u00e1rio n\u00ba 970.821-RS, de relatoria do Ministro Edson Fachin, o qual ir\u00e1 colocar fim \u00e0 controv\u00e9rsia. E foi justamente nos autos do respectivo recurso que houve parecer do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal ratificando a inconstitucionalidade da cobran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">A prop\u00f3sito, destacamos a s\u00edntese de argumentos originada pelo referido parecer:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A cobran\u00e7a de antecipa\u00e7\u00e3o de ICMS equivalente a diferencial de al\u00edquotas, fundamentada em normas estaduais, do optante do Regime Especial Unificado de Arrecada\u00e7\u00e3o de Tributos e Contribui\u00e7\u00f5es devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) quando n\u00e3o se enquadre como consumidor final, encontra-se eivada de inconstitucionalidade formal, por n\u00e3o estar amparada por lei complementar federal (art. 146, III, d e par\u00e1grafo \u00fanico), e material, porquanto n\u00e3o observa o regime constitucional do aludido imposto, mormente o princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade (art. 155, \u00a7 2\u00ba, I e VII), e o Postulado do tratamento favorecido para as microempresas e empresas de pequeno porte (arts. 170, IX, e 179).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Em s\u00edntese, de acordo com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal existem tr\u00eas argumentos para se declarar a inconstitucionalidade da cobran\u00e7a de ICMS Interestadual aos contribuintes do simples que adquirem produtos em outros Estados para revenda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">O primeiro seria de que houve desvirtua\u00e7\u00e3o da finalidade autorizada pela constitui\u00e7\u00e3o, considerando que esta definiu o direito ao pagamento de diferencial de al\u00edquota (al\u00edquota interna \u2013 al\u00edquota interestadual) aos Estados onde os adquirentes estiverem localizados (Estado de destino), mas somente quando a mercadoria for adquirida \u201cpor contribuinte de ICMS\u201d na qualidade de \u201cconsumidor final\u201d (\u00a72\u00ba, I e VII, c\/c, VIII) .<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Sendo assim, visando que o Estado de destino tamb\u00e9m recebesse parte da tributa\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o haveria opera\u00e7\u00e3o comercial subsequente, a Constitui\u00e7\u00e3o permitiu a cobran\u00e7a do diferencial de al\u00edquota nas hip\u00f3teses em que o comerciante fosse o destinat\u00e1rio final (consumidor) da mercadoria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Por\u00e9m, quando o comerciante adquire a mercadoria para revenda, apenas o Estado de origem seria legitimado para cobran\u00e7a do ICMS.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">N\u00e3o obstante, o segundo ponto utilizado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, reside no fato de que a impossibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos adquiridos na opera\u00e7\u00e3o de aquisi\u00e7\u00e3o de mercadorias pelos contribuintes do Simples Nacional, resulta em viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio constitucional da n\u00e3o-cumulatividade, previsto no art. 155, \u00a72, inciso I, da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Para entender melhor tais fundamentos, \u00e9 importante descrever de que forma funcionam os tributos n\u00e3o cumulativos, sendo esta, hip\u00f3tese em que \u00e9 vedada a incid\u00eancia indiscriminada de um tributo na cadeia de consumo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Para tanto, o legislador previu que o contribuinte poderia compensar o que for devido em cada opera\u00e7\u00e3o com o montante cobrado nas anteriores, evitando-se a ocorr\u00eancia de bitributa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Ocorre que os contribuintes optantes do Simples Nacional n\u00e3o podem realizar a compensa\u00e7\u00e3o de tais pagamentos, j\u00e1 que nesta modalidade o ICMS est\u00e1 inclu\u00eddo em uma contribui\u00e7\u00e3o mensal com base na receita bruta, inviabilizando sua reparti\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o em cada opera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Deste modo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que os contribuintes inscritos no Simples Nacional utilizem os cr\u00e9ditos adquiridos nas aquisi\u00e7\u00f5es de mercadorias para revenda, resultando, assim, em bitributa\u00e7\u00e3o e n\u00edtida viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio constitucional da n\u00e3o-cumulatividade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Na mesma linha de racioc\u00ednio, o terceiro argumento utilizado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, resulta da viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio do tratamento favorecido \u00e0s microempresas e empresas de pequeno porte, previsto nos artigos 170, IX e 179 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Isso porque, a inviabilidade de apropria\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia dos cr\u00e9ditos acaba por impor tratamento fiscal mais gravoso aos contribuintes do Simples Nacional quando comparados \u00e0s demais empresas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Pelo exposto, consoante ao parecer do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, entende-se que a cobran\u00e7a da antecipa\u00e7\u00e3o do DIFAL-Diferencial de Al\u00edquota das empresas do simples que adquirem produtos em outros Estados para revenda \u00e9 inconstitucional, pois resulta de an\u00e1lise equivocada da constitui\u00e7\u00e3o e prev\u00ea tratamento mais gravoso aos micro e pequenos empres\u00e1rios, ao contr\u00e1rio do que prev\u00ea a Carta Magna.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Contudo, caber\u00e1 ao STF dirimir a controv\u00e9rsia nos autos do <strong>RE970.821-RS<\/strong>.<\/span><\/p>\n\n\n<p>A equipe de consultores do Grupo Ciatos se coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para solucionar eventuais d\u00favidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quer conhecer um pouco mais sobre o <\/strong><strong>Grupo Ciatos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Preencha o formul\u00e1rio abaixo que um dos Consultores&nbsp;Ciatos&nbsp;entrar\u00e1 em contato para agendar uma visita.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O regime de recolhimento do SIMPLES NACIONAL, criado pela Lei Complementar 123, de 2006, implica no recolhimento unificado de diversos tributos, em percentual sobre a receita bruta da empresa, dentre os quais se encontra compreendido o ICMS. 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